Pacific News #300: O Grito do Povo

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Assunto do momento: Ataque de supply chain atinge prefeituras e câmaras municipais do Espírito Santo

O que aconteceu? O site da Câmara Municipal de Vitória foi comprometido na última quinta-feira. Durante o incidente, a página inicial do portal ficou indisponível e passou a exibir a mensagem “em atualização”. Nesta segunda-feira, o presidente da Câmara, Anderson Goggi, afirmou que um ex-funcionário da empresa responsável pelo sistema utilizado pela instituição é o principal suspeito de envolvimento na invasão.

Por que isso importa? A empresa citada é a Agape Consultoria, com sede em Vitória. Em seu site, a companhia lista a Câmara Municipal de Vitória entre seus clientes, além de outras 49 câmaras municipais (39 delas no Espírito Santo) e 32 prefeituras, das quais 30 também estão localizadas no estado. O incidente em Vitória faz parte de uma sequência de ataques cibernéticos contra portais de órgãos públicos municipais do Espírito Santo.

Atacantes: O grupo BLCKORDER reivindicou a autoria das ações, que teriam resultado no comprometimento de páginas e bancos de dados das prefeituras de João Neiva, Ibatiba e Brejetuba, além da Câmara Municipal de Vitória e de outras 20 instituições municipais capixabas, segundo o portal ES Hoje. Todas as prefeituras mencionadas entre os alvos estão na lista de clientes da Agape Consultoria, reforçando a hipótese de que o fornecedor possa representar um ponto comum entre os diferentes incidentes.

O impacto: A invasão ao site da Câmara de Vitória resultou na desfiguração da página, que passou a exibir imagens e mensagens ofensivas direcionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Senado e a figuras políticas como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o presidente chinês Xi Jinping. As mensagens também faziam referências ao cenário das eleições de 2026 e, em uma das imagens publicadas pelos invasores, a própria Agape era acusada de falhar na segurança dos sites sob sua responsabilidade.

Saiba mais: Segundo Anderson Goggi, um ex-funcionário da empresa responsável pelo sistema utilizado pela Câmara é tratado como o principal suspeito da invasão. Em nota, a Câmara Municipal de Vitória afirmou que o incidente ficou restrito à área pública do portal e que sistemas internos, dados institucionais e processos legislativos não foram afetados.


Como a cibersegurança foi tratada no Brasil em 2026?

O que aconteceu? A ESET Security Report desenhou um retrato de como a segurança da informação estava representada na América Latina em 2026, mais especificamente nas empresas brasileiras. 

O cenário geral: O Brasil demonstra um nível de maturidade maior do que a média do resto da América Latina. Mas, os números indicam que a cibersegurança continua sendo um desafio para o país. Em resumo, somos o país que mais detecta ataques; ao mesmo tempo em que reconhecemos não saber ao certo o tamanho do próprio risco. 

A visibilidade: Em 12 meses, 62% das empresas brasileiras foram capazes de identificar uma tentativa de ataque. Na América Latina a média gira em torno de 52,7%. O maior problema, no entanto, fica com as empresas que não registraram nenhum incidente, onde 43,3% delas não têm certeza se realmente não sofreram ataques ou se simplesmente não o observaram. Isso contrasta com os 25,1% observados na América Latina.

A porta de entrada: Phishing, phishing, phishing. Esse ainda é o maior vetor responsável por acesso inicial e presente em 70,9% dos incidentes relatados por empresas brasileiras. Exploração de vulnerabilidades ocupa o segundo lugar, com 49,4%. Acessos não autorizados, com 44,3% e infecção por malware, com 41,8% vêm na sequência. 

Estamos adotando ferramentas? Sim. No geral, o Brasil tem um percentual maior no uso de ferramentas defensivas, como Firewall, EDR, DLP, e outros. Os dados revelam que as empresas brasileiras estão fortalecendo suas defesas. 

Sim, mas: Ainda há um longo caminho até a identificação de ameaças mais complexas. Se fazemos um bom trabalho na base, para identificarmos analiticamente ameaças avançadas ainda temos muito o que avançar. 

Saiba mais: Os dados completos do ESET Security Report 2026 podem ser conferidos no próprio site da ESET, ou clicando aqui.


Papo Rápido

@Ataques

O FBI alertou que cibercriminosos estão invadindo contas de redes sociais para roubar fotos e vídeos íntimos de adultos e crianças, usando phishing, senhas vazadas e falsos atendentes de suporte. As vítimas podem sofrer extorsão, assédio e exposição do conteúdo, e o órgão recomenda o uso de senhas únicas e autenticação multifator. (TechCrunch)

@Patches

A Cisco alertou para sete vulnerabilidades no ClamAV que afetam o Secure Endpoint Connector para Windows, macOS e Linux, duas delas já possuem códigos de exploração públicos capazes de provocar negação de serviço. As falhas foram corrigidas na versão 1.5.4, e a empresa afirma não ter evidências de exploração ativa, mas recomenda a instalação das correções. (SecurityAffairs)  

@Mundo

A Delta investiga um possível ataque à rede Wi-Fi de um voo entre Las Vegas e Atlanta, que levava participantes da DEF CON. Passageiros teriam derrubado a conexão e criado uma rede falsa, possivelmente usada para capturar credenciais, levando a tripulação a desligar o Wi-Fi por cerca de 30 minutos. A companhia afirmou que o incidente não afetou a segurança do voo. (BleepingComputer)

Um australiano pediu a um agente de IA da OpenClaw que tentasse conseguir uma vaga em uma aula de academia, mas a ferramenta explorou uma vulnerabilidade no sistema da academia para fazer uma reserva meses antes do permitido e remover outra pessoa da lista de espera. O caso levanta o debate sobre quem deve ser responsabilizado por danos causados por IAs. (SecurityAffairs

Um homem foi preso na Espanha após usar deepfakes e documentos falsificados para tentar obter certificados digitais em nome de outras pessoas. Ele fez 38 tentativas, mas acabou descoberto quando uma falha de menos de um segundo no software revelou seu rosto verdadeiro. Os certificados poderiam permitir que ele assinasse contratos, autorizasse transações e acessasse serviços públicos em nome das vítimas. (TheRegister)


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Escrito por: Thaís Hudari AbibMurilo Lopes e Cíntia Baltar
Arte: George Lopes e Anselmo Costa

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