Pacific News #294: O balão vermelho
Assunto do momento: Um alarme antifurto pode ser a maior brecha para furtos automotivos que já existiu
O que aconteceu? Pesquisadores da Universidade da Califórnia descobriram que um alarme automotivo instalado em mais de 2 milhões de veículos nos EUA, possui uma vulnerabilidade crítica que permite a qualquer pessoa desbloquear o carro silenciosamente, desativar o alarme, rastrear e até paralisar o veículo. Esse aparelho é conhecido como KARR Security System.
Por que isso importa? Tudo isso acontece sem autenticação. E piora, uma vez que a maioria dos motoristas afetados sequer pediu para ter o dispositivo instalado. As concessionárias instalam o aparelho como medida antifurto em seus lotes e poucas vezes removem o alarme após a venda. Milhões de pessoas rodam em seus carros com um dispositivo vulnerável embutido.
A falha: Há uma única chave de autenticação universal compartilhada entre todos os dispositivos KARR já fabricados. Essa chave estava exposta no código do próprio aplicativo oficial. Ao fazer engenharia reversa do app, os pesquisadores conseguiram replicá-la em um aplicativo próprio capaz de enviar comandos aceitos por qualquer dispositivo KARR nas proximidades, em qualquer veículo, de qualquer marca ou modelo.
Possibilidades: Em demonstrações para a WIRED, os pesquisadores mostraram ser possível desbloquear um carro silenciosamente em um semáforo, paralisar um veículo estacionado impedindo-o de dar a partida, ou acionar simultaneamente buzinas e luzes de múltiplos carros ao mesmo tempo.
Saiba mais: A descoberta começou em 2018, quando um pesquisador da UCSD percebeu sinais Bluetooth misteriosos em postos de gasolina e rodovias. Só em 2024 a equipe investigou a fundo e encontrou a falha em poucos dias. Para estimar o número de dispositivos afetados, os pesquisadores cruzaram dados do banco de sinais de rádio WiGLE com os números de série dos aparelhos, chegando a mais de 2 milhões de unidades implantadas.
Cisco lança Antares: modelos open-weight para identificar vulnerabilidades em código

O que aconteceu? A Cisco lançou o Antares, uma família de pequenos modelos de linguagem (SLMs) open-weight desenvolvida para analisar repositórios de software e identificar vulnerabilidades conhecidas em bases de código.
Por que isso importa? O Antares oferece às empresas uma forma mais econômica de realizar análises recorrentes de segurança em grandes bases de código, sem a necessidade de enviar código-fonte sensível para provedores externos de IA. Segundo a Cisco, em seus testes, o Antares analisou 500 repositórios em aproximadamente 15 minutos, a um custo inferior a US$ 1. Como comparação, a mesma tarefa levou cerca de cinco horas e custou mais de US$ 100 utilizando o GPT-5.5.
Saiba mais: A Cisco é a mais recente empresa a disponibilizar como código aberto ferramentas voltadas para a detecção e correção de vulnerabilidades de software. Na semana passada, a Capital One também lançou o VulnHunter, uma ferramenta de segurança baseada em IA com capacidades autônomas que simula a perspectiva de um invasor para analisar o código-fonte e identificar os vetores de ataque mais prováveis que poderiam ser explorados.
Papo Rápido
@Ataques
O grupo de ransomware Qilin está explorando ativamente uma falha crítica no GlobalProtect VPN da Palo Alto Networks (CVE-2026-0257) para invadir redes corporativas e realizar ataques de criptografia em larga escala. A vulnerabilidade já foi corrigida em maio, mas mais de 167 mil instâncias ainda estão expostas na internet. Organizações que utilizam o GlobalProtect e ainda não aplicaram o patch devem fazê-lo imediatamente. (BleepingComputer)
Na terça-feira, a OpenAI divulgou que alguns de seus modelos de IA agiram de forma anômala durante um teste de segurança e desencadearam uma invasão que comprometeu a infraestrutura da startup de IA Hugging Face (plataforma utilizada para hospedar LLMs e conjuntos de dados de código aberto) na semana passada. (NBCNews)
@Patches
Patches não oficiais já estão disponíveis para o LegacyHive, zero-day no Windows User Profile Service que permite escalação de privilégios sem autenticação de admin. Enquanto a Microsoft investiga e ainda não lançou correção oficial, a plataforma 0Patch disponibiliza micropatches gratuitos para Windows 10 2004 ou superior e Windows Server 2022 ou superior. (BleepingComputer)
A Zimbra anunciou correções para diversas vulnerabilidades críticas, incluindo uma falha de injeção de comando divulgada no final de junho e que afeta o componente de monitoramento SNMP do pacote de colaboração se as notificações SNMP estiverem habilitadas e o serviço integrado Swatchdog estiver em execução. A versão 10.1.20 do Zimbra Collaboration Suite (ZCS) inclui uma correção permanente para a falha. (SecurityWeek)
@Mundo
Serviços de inteligência neerlandeses confirmaram que ao menos uma agência de inteligência russa está invadindo câmeras de segurança conectadas à internet em países da Europa e na Ucrânia para monitorar rotas militares, carregamentos de armas e a localização de tropas. A entrada raramente exige sofisticação: senhas padrão, firmware desatualizado e configurações de fábrica são suficientes. Mais de 87 mil câmeras vulneráveis foram identificadas em países da UE, OTAN e Ucrânia. (TheHackerNews)
O grupo de cibercriminosos Anubis reivindicou a autoria de um ataque à fairlife (empresa de laticínios pertencente à Coca-Cola) e ameaçou divulgar dados roubados caso não recebesse um resgate de valor não especificado. O grupo diz ter roubado 1 terabyte de dados. (USNews)
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Escrito por: Thaís Hudari Abib, Murilo Lopes e Cíntia Baltar
Arte: George Lopes e Anselmo Costa